As
questões epistemológicas interessaram a Piaget desde sua juventude. A
epistemologia é utilizada comumente para designar o que chamamos a teoria do
conhecimento. Tal modelo teórico explica o desenvolvimento da inteligência,
tendo como conteúdo básico a ação do sujeito que interage com os objetos,
construindo, a partir dessas ações, formas e/ou estruturas de inteligência que
lhe permitem, cada vez mais, adaptar-se ao mundo em que vive. Os trabalhos do
autor, na psicologia, conduziram-no à ideia da utilização do modelo
lógico-matemático como meio de análise e instrumento de descrição do
funcionamento e do desenvolvimento da inteligência. Para o autor, o
conhecimento não pode ser simplesmente imposto pelo meio ao sujeito, como um
reflexo das propriedades do ambiente (empirismo), tampouco estaria inteiramente
pré-formado no sujeito, apenas aguardando a maturação (apriorismo). A outra
novidade da sua teoria é a abordagem empirista que explica que a construção do
conhecimento pelo ser humano é fruto das interações do sujeito com o seu meio.
Segundo a Teoria Epistemológica Genética, conforme surgem solicitações do meio,
as estruturas da inteligência vão se construindo e, a partir de novas
solicitações, o sujeito tem a possibilidade de reorganizá-las, vivenciando
constantes mecanismos de assimilação de novos objetos a esquemas já existentes
e mecanismos de ampliação do conhecimento denominados acomodação. É no convívio
com outras crianças e com o meio é em que ela está inserida, que a criança
constrói seu conhecimento. Daí a importância da escola e do professor para
mediar o conhecimento. Nós professores podemos fazer da nossa mediação um meio
para a construção conhecimento do aluno, instigando no aluno a curiosidade, a
vontade de pesquisar e aprender. Eu procuro provocar nos meus algumas
curiosidades, como por exemplo, como construir gráficos. Pedi a eles que
trouxesse metro, fita métrica, trena, algo que medisse. Então dei alguns itens
para eles medirem no pátio e na sala de aula. Com os dados montamos tabelas e
construímos gráficos. Foi muito bom porque eles discutiam entre eles com as
medidas davam diferentes, pediam para ir medir outra vez pra ver quem estava
certo. Compararam as medidas de suas alturas com a realidade. Como por exemplo,
um colega disse que media 1 metro e 49 centímetros, e o outro diz: - Como se eu
sou mais alto do que tu. E lá iam se medir outra vez.